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Somos Todas Marias

No Rio Grande do Norte, uma em cada cinco mulheres atende por esse nome simples, forte, mas recheado de significados.

Por Cledivânia Pereira

Rayane Maianara

Todos nós temos uma Maria em nossas vidas. Elas são irmãs, filhas, mães, companheiras, amigas, jovens, mais experientes, avós, tias, colegas de trabalho. Não raro, elas são irmãs, mães e filhas em uma mesma casa. No Rio Grande do Norte, uma em cada cinco mulheres atende por esse nome simples, forte e recheado de significados. São 341 mil Marias potiguares, cujas histórias de vida podem resumir a de todas as mulheres que aqui nasceram. Os dados são do IBGE, que no primeiro semestre deste ano divulgou estudo sobre os nomes dos brasileiros e M-A-R-I-A figura como o mais popular, seguido de J-O-S-É, que está no registro de 145 mil pessoas.

A origem do popular nome é incerta. A tese mais aceita é que se originou a partir do hebraico Myriam, que significa “senhora soberana” ou “a vidente”. O nome é difundido no mundo inteiro mesmo antes da época de Jesus Cristo, filho da mais popular de todas as Marias. Por isso, alguns historiadores apontam a possibilidade de ser derivado da palavra Maryáh, que quer dizer literalmente “a pureza”, “a virtude”, “a virgindade”.


Quase sempre, a escolha pelo nome mais popular do RN – e do mundo - está rodeada de lindas histórias de fé, milagres, amor e alegria. Foi assim com a jornalista Maria da Guia. O nome dela seria Ana Flávia ou Roberta, mas a mãe teve complicações durante o parto e, em meio à agonia, fez promessa junto à padroeira de Acari (onde morava): se ocorresse tudo bem, a filha seria chamada Maria da Guia.

Com 37 anos, Maria da Guia recorreu ao mesmo compromisso de fé. Grávida da segunda filha, também teve sérias complicações de saúde – pré-eclampsia. E a pequena, que se chamaria apenas Luísa, também recebeu a marca do amor e força que o nome ‘Maria’ carrega. Após semanas na UTI, Maria Luísa cresce saudável e distribui no sorriso a alegria da fé registrada no seu nome. “Queria dar à minha filha a mesma bênção que eu tive... E o nome Maria materializa essa minha fé... a fé na vida. Somos abençoadas, não tenho dúvidas disso!”, relata, emocionada, a jornalista.

Em algumas famílias, todas as mulheres da casa carregam a grafia dessa devoção. A radialista Suerda Medeiros é registrada como ‘Maria Suerda’. “Minhas duas irmãs também trazem esse nome: Maria Suzete e Maria Suzana. Nossa mãe se chamava Maria do Céu. Ela era uma grande admiradora de Maria, mãe de Jesus, e quis nos aproximar dessa fé. Adoro ser Maria. Minhas irmãs também. E adorava quando minha mãe me chamava ‘Maria Suerda’”, lembra com carinho.

Aceitação

O nome, por ser simples e comum, muitas vezes não agrada às jovens ‘Marias’. “Já achei o nome chato, quando criança, mas hoje gosto muito”, explica a jornalista Maria Emília. A casa dela é a das ‘três Marias’. A escolha foi do pai. Ele queria homenagear uma professora antiga que se chamava ‘Maria Emília’. “Como mainha também se chama Maria, quando minha irmã nasceu, recebeu o mesmo nome para fazer o trio”, completa.

A universitária Maria Eduarda (18) confessa que, quando mais jovem, não gostada do nome. “Mas agora vejo como um nome forte, me lembra a resistência das mulheres interioranas, mulheres batalhadoras”, conta feliz. Ela lembra carregar um nome histórico, que está muito associado aos mais velhos, traz toda uma carga positiva. “Acho que identifica a força feminina”. Ela não sabe bem a história da escolha do nome. “Meu tio que escolheu o nome, nunca soube bem o motivo... mas também é o nome da minha mãe e era o da minha avó, de certo modo, vejo como uma herança”, relata.

Acidente

Algumas Marias surgem por ‘acidente’. A enfermeira Maria Sena deveria ter nascido Jailza Sena. Mas, ao chegar ao cartório, o pai dela simplesmente esqueceu o nome escolhido e registrou a menina como Maria. A mãe, a criou como Jailza... Durante anos, o nome Maria não passou de um compromisso burocrático. Só era revelado nas chamadas escolares e no local de trabalho, já que os documentos não traziam qualquer referência ao ‘nome’ de fato e não de direito.

Só adulta, Jailza contratou um advogado e conseguiu mudar os dados oficiais e acrescentou o ‘nome fantasia’ que recebeu desde que nasceu. Mas a história do nome mais popular do RN ainda tinha um novo e emocionante capítulo na vida da enfermeira. Na segunda gravidez, ela já tinha escolhido o nome para a filha: Lívia. Mas, complicações no parto a fez assumir um compromisso de fé, e assim nasceu a Lívia Maria.

Amor

Algumas Marias são Marias antes mesmo de nascer. A educadora Kamila Campos Maciel engravidou em maio de 2015. O mês é conhecido como o mês de Maria, por isso não teve dúvidas do nome da filha. “A gente queria um nome simples e comum... sem complementos. Mas o que definiu mesmo, foi o fato de eu ter engravidado no mês de maio. Na verdade, todos os caminhos nos levaram a Maria”, explica Kamila.

Independente do motivo para a escolha do simbólico nome MARIA, a palavra carrega significado que retira de todos nós as mais belas emoções. Todos nós temos pelo menos uma Maria para amar!

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