Quem são os comerciantes que apostaram na Ribeira como lugar para oferecer serviços e lazer – e não se arrependem
Canindé Soares
Nalva Melo, proprietária do Café-Salão: ícone da aposta de empresários na tão sonhada revitalização da Ribeira
O comércio sempre ocupou importante lugar no seio da humanidade, tendo papel fundamental no seu desenvolvimento. Em Natal, o bairro da Ribeira foi o grande protagonista, durante longos anos, desse processo de crescimento da capital potiguar, tendo em vista sua vocação comercial, destacada pelas presenças do Porto, da Ferrovia e da Rodovia. Porém, no decorrer dos anos, o segmento do comércio e serviços da Ribeira passou por um processo de decadência, que se intensificou, ainda mais, com o deslocamento do setor atacadista para outros bairros, especialmente o Alecrim e a Cidade Alta.
Nos dias de hoje, o que vemos na Ribeira é uma luta diária entre o trabalho para oferecer um bom serviço e o preconceito da população de Natal com o comércio do bairro. Os empresários que resolveram investir no local sofrem com a falta de investimentos, por parte do poder público, e a total falta de interesse dos moradores de Natal em conhecer a história do bairro e, mais ainda, fazer suas compras nas ruas da Ribeira. “Quem vem para cá é porque deseja encontrar algo aqui. Ninguém vem comprar algo ou usar algum serviço na Ribeira ‘por acaso’. É diferente de quando a pessoa circula numa avenida como a Prudente de Morais e se depara com algo que deseja. Ela para o carro, desce e compra algo. Ninguém vem passear na Ribeira”, disse o empresário Sérgio Teixeira, um dos proprietários do restaurante Consulado.
No entanto, mesmo com as dificuldades para manter um estabelecimento aberto na Ribeira, ele e seu irmão e sócio, Ricardo Teixeira, não desistiram do local e hoje se destacam no setor de restaurante. Localizado na rua das Virgens, o Consulado é um charmoso casarão que foi restaurado pelos dois para ser bar e restaurante. “Percebemos a movimentação no Buraco da Catita – bar localizado na mesma rua -, e vimos que poderíamos atrair um público para cá à noite. Diferente deles, que abriam as portas para o samba e o chorinho, resolvemos trazer o Por Rock para o Consulado. Mas tivemos muito trabalho para atrair pessoas para cá. Muitos acham que a Ribeira é um bairro violento, mas nunca tivemos problemas de segurança aqui”, disse Sérgio.
No entanto, em virtude da sazonalidade do público, os sócios resolveram fechar o bar – que funcionou durante dois anos -, e manter apenas o restaurante aberto para almoço. “Tivemos uma grata surpresa. Percebemos que havia uma deficiência desse segmento aqui na Ribeira e resolvemos investir. Adaptamos o local, colocamos ar condicionado, fazemos uma comida boa e temos um preço justo. Nunca fizemos propaganda do local, apenas oferecemos um bom serviço. Mas ainda esbarramos em alguns problemas como a falta de local para estacionar”, alegou o empresário.
Canindé Soares
Publicitário Jener Tinôco escolheu a Ribeira para instalar uma agência, no bairro há 30 anos
De acordo com Sérgio, muitas pessoas que investiram na Ribeira acabaram indo embora devido à falta de estrutura do bairro e até mesmo pela impossibilidade de fazer reformas em alguns prédios. “Órgãos dos poderes municipal, estadual e federal, que eram instalados aqui, foram embora. Outras pessoas que tinham negócios no bairro também se mudaram. Isso porque a maioria dos prédios são tombados e não podem passar por reformas e uma restauração demanda tempo e um investimento alto. Isso inviabiliza o negócio de muita gente. Sai mais barato ir para outro bairro”, explicou Sérgio.
Incentivos fiscais
Em 2007, foi aprovado um Projeto de Lei Complementar que criava a Operação Urbana Ribeira, um conjunto de intervenções visando a recuperação e revitalização da área do bairro. A proposta estabelecia um incentivo fiscal que aumentava prazos e descontos no pagamento do Imposto Predial Territorial Urbano (IPTU) e no Imposto Sobre Serviços (ISS) para quem fosse investir na Ribeira. A ideia era promover a reabilitação do bairro incentivando a sua habitação e a instalação de novos empreendimentos.
No entanto, os empresários que investiram no bairro, atraídos pelos incentivos, nunca o viram, de fato. É o caso dos sócios Luiz Fernando Dantas da Silva e Antônio Manoel Pereira da Costa, proprietários do Centro Aplicado de Informática e Comunicações, empresa com foco no fornecimento de serviços de Tecnologia da Informação para o mercado corporativo. O empreendimento está na Ribeira há nove anos, localizado na Esplanada Silva Jardim. “Ao invés de incentivos, pagamos impostos muito caros. Nossas contas de água e energia são altas e não temos uma boa oferta de serviços como segurança, iluminação, saneamento, telecomunicações. O poder público precisa olhar para a Ribeira urgentemente”, disse Antônio.
A ideia de instalar uma empresa de informática na Ribeira foi inspirada no Porto Digital de Recife, um parque urbano instalado no centro histórico do Bairro do Recife e no bairro de Santo Amaro, totalizando uma área de 149 hectares, com atuação nos eixos de software e serviços de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) e Economia Criativa (EC), com ênfase nos segmentos de games, multimídia, cine-vídeo-animação, música, fotografia e design. “Em outros lugares, as zonas onde as cidades nasceram são desenvolvidas. Imaginávamos que aqui em Natal, o poder público poderia fazer algo parecido com Recife. Mas estamos aqui há nove anos e somos a única empresa desse setor no bairro”, disse Antônio.
Canindé Soares
O empresário Sérgio Teixeira em frente ao Consulado: casarão pertenceu a Guglielmo Lettieri , cônsul da Itália no Rio Grande do Norte
Sobre as dificuldades para atrair clientes, Antônio disse que não sofreu como os demais empreendedores do bairro, tendo em vista que a atuação da empresa é virtual. “Temos clientes espalhados por todo o Nordeste, São Paulo, Rio de Janeiro, num total de 240, sendo alguns contratos fixos e outros com trabalhos avulsos. Então, como os nossos clientes não precisam vir aqui na Ribeira, não tivemos esse problema de preconceito com o bairro ou algo do tipo. Os donos de lojas, que precisam atrair pessoas para suas vitrines, certamente têm mais problemas”, afirmou Antônio.
Beleza e Arte
Mesmo antes dos incentivos fiscais prometidos pela Prefeitura de Natal, um estabelecimento já fazia história nas ruas da Ribeira: o Café Salão, da empresária Nalva Melo. Ele funciona há 21 anos no piso térreo do edifício Bila, localizado na Avenida Duque de Caxias. Um charmoso salão de beleza que tem feito a cabeça de muita gente em Natal, não só pelos cuidados com o visual, mas pela poesia, música, artes plásticas, fotografia e pelo clima vintage que inspira os visitantes.
Antes de ser o Café Salão, o prédio abrigava o setor de créditos imobiliários do extinto Banco do Estado do Rio Grande do Norte (Bandern) e estava fechado havia quatro anos. “Estava procurando um local para abrir o salão e vi um anúncio no jornal sobre o imóvel, no térreo do edifício Bila. Quando chegamos aqui, nos deparamos com esse pé direito altíssimo e nos encantamos. São 120 m² incríveis”, disse Nalva. Quando chegou no local, a cabeleireira se deparou com um piso revestido de um material vinílico e não imaginava o que estava embaixo dele. “Eu vi umas falhas no piso que dava pra notar um outro piso por baixo. Pedi para rasparem e me deparei com esses ladrilhos hidráulicos belíssimos, que é uma das coisas mais bonitas desse salão, é sua marca”, afirmou a proprietária do Café Salão.
Segundo ela, começava ali a grande saga contra o preconceito. “Quando eu dizia para as clientes que ia abrir um salão na Ribeira, muitas torciam o nariz e diziam que o bairro era perigoso. Na verdade, a Ribeira vive esse estigma até hoje”, afirmou. Diante do olhar preconceituoso, Nalva disse que conseguiu se estabelecer na Ribeira fazendo um bom trabalho. “Foi aí que vi que o meu produto era bom”, alegou.
Além da parte de beleza, a empresária resolveu abrir o espaço à noite, com música, exposição de artes plásticas, fotografias e poesia. Mas nem sempre a ideia foi essa. “Quando abri o salão era apenas para oferecer os serviços de beleza, mas depois fiz uma viagem a Viena e descobri que poderia transformar meu salão no que é hoje”, disse. A empresária afirmou que, na época, se desfez de seus bens para investir no projeto cultural do Café Salão. Quando questionada se houve algum arrependimento, ela diz que faria tudo oura vez. Durante muito tempo o Café teve o Projeto “Segunda Solo”, que abria as portas para artistas locais. “Sempre valorizei a música dos artistas daqui. Muitos deles passaram pelo Café”, declarou.
Para Nalva, a população de Natal perde a oportunidade de conhecer um pouco mais de sua história ao virar as costas para a Ribeira. “Em qualquer parte do mundo, quando alguém procura compreender sua história, vai aos lugares onde as cidades nasceram. Aqui, infelizmente, as pessoas conhecem muito pouco de suas origens, pois não visitam a Ribeira, não circulam por aqui. Aliás, acho que isso é algo que atinge o país, de forma geral. Porque, na minha opinião, as pessoas irem às ruas para pedir a volta do regime militar, é muita falta de conhecimento da história do país”, argumentou.
Casarão 208
Outro empresário que viu a Ribeira passar por diversas fases foi o publicitário Jener Tinôco, diretor da Armação Propaganda, agência de publicidade que está no bairro há 30 anos. Em 1985, a empresa, que era localizada na Cidade Alta, precisou de mais espaço interno para o desenvolvimento do trabalho. O apelo emocional do bairro histórico e as possibilidades de sua transformação, tal como ocorreu no Pelourinho, em Salvador, e no Recife Antigo, foram elementos primordiais para a mudança da agência. Mas, ao chegarem na Rua Dr. Barata, endereço da agência até hoje, o que tinham eram as companhias ilustres dos boêmios da cidade.
Jener lembra que durante todo esse período, o bairro enfrentou um processo contínuo de abandono. “Que eu lembre, foram feitos dois esforços efetivos de revitalização: um na gestão do Prefeito Aldo Tinôco, quando ele lançou o Projeto Ribeira Viva, que recuperou todo o sítio histórico localizado na Rua Chile. E outro com o Prefeito Carlos Eduardo, quando ele lançou aqueles incentivos fiscais que atraíram investimentos imobiliários para o bairro”, disse.
O empresário também citou o Projeto Ribeira Competitiva, viabilizado através de uma parceria entre a Associação Comercial do RN e o Sebrae, com o objetivo de melhorar a gestão dos negócios, a infraestrutura e impulsionar a captação de novas empresas para o bairro. “Em decorrência da implantação do Ribeira Competitiva, o Prefeito Carlos Eduardo participou de reuniões na Associação Comercial e se comprometeu a estudar o relançamento de novos incentivos fiscais para o bairro e a apresentação de projeto ao Ministério do Planejamento para obtenção de recursos destinados a recuperar o sitio histórico”, explicou Jener.
Neto de comerciantes tradicionais da Ribeira - Júlio César de Andrade e José Natal Tinôco -, Jener, que também foi estudante do Colégio Salesiano, tem o desejo de ver o bairro transformado. “Gostaria de ver a Ribeira estruturada, com estacionamentos rotativos, ruas e prédios limpos, boa iluminação, comércio ativo, presença de empresas prestadoras de serviços, enfim, tudo organizado como deve ser um bairro bom em qualquer lugar do mundo”, concluiu.
O poder da Catita
Premiado duas vezes pela revista Veja Natal Comer & Beber, como o melhor lugar para se ouvir música ao vivo na cidade, o Espaço Cultural Buraco da Catita não deixa dúvidas: é a grande estrela da Ribeira. O bar foi inaugurado em 2008, na rua das Virgens, pelo empresário Marcelo Tinôco e tornou-se um fenômeno de popularidade, atraindo pessoas de todas as partes da cidade e quebrando tabus sobre o bairro. Durante as entrevistas com os empresários da Ribeira, o nome da “Catita”, foi citado inúmeras vezes como um dos grandes responsáveis pela mudança de olhar da população sobre o bairro.
Edu Barboza
Buraco da Catita, na rua das Virgens: eleito duas vezes pela revista Veja Natal Comer & Beber o melhor lugar para se ouvir música ao vivo na cidade
Mas, para conseguir ocupar o lugar de destaque no meio cultural, o empresário Marcelo Lima, sócio de Marcelo Tinôco, disse que foi preciso muito trabalho. “Foi transpiração mesmo. Trabalhando de domingo a domingo para poder oferecer boa música, um ambiente legal para se divertir. Estamos localizados em um bairro totalmente degradado e não foi fácil esse trabalho para atrair as pessoas para cá”, declarou.
Canindé Soares
O artista plástico e arquiteto Flávio Freitas sempre quis um atelier na Ribeira: “é um compromisso social com a cidade”
Marcelo Lima, que é conhecido como Marcelo “Patinha”, disse que foi atraído à Ribeira pelo aspecto cultural, pois o bairro tem o estilo da Lapa, no Rio de Janeiro. “Um bairro boêmio, cheio de histórias e tudo isso está na essência do Buraco da Catita. A Ribeira é puro charme”, disse. No entanto, o empresário declarou que a Ribeira caiu no esquecimento do poder público. “O bairro deveria ser melhor povoado, ter mais estabelecimentos comerciais. Nós vivemos numa cidade que sobrevive quase 100% do turismo e o poder público não se importa em recuperar o bairro para atrair visitantes”, declarou.
Para Marcelo, a Ribeira merecia uma atenção especial, mas se a prefeitura cuidasse do básico, que é limpeza e iluminação, já traria resultados. “Se iluminassem e limpasses as ruas, o bairro ficaria mais seguro. As pessoas poderiam circular tranquilamente por aqui. Também acho importante que a prefeitura ofereça incentivos aos empreendedores e pessoas que queiram morar no bairro. Nossa cidade nasceu na Ribeira, nada mais justo que transformar esse lugar em algo especial para os moradores de Natal”, declarou.
Cultura
Quando o assunto é cultura, duas instituições imprimem sua marca no bairro. Uma delas é o Espaço Cultural Casa da Ribeira, que funciona há 15 anos na rua Frei Miguelinho, transformando-se, ao longo desse tempo, num celeiro de talentos. “Queremos que as pessoas conheçam mais a Ribeira, saibam sua história, a importância de seus casarões, e da vida cultural, e que possam ter a vontade de proteger e cuidar dela, algo que as gestões políticas que passam não têm feito”, diz Henrique Fontes, diretor-presidente da Casa da Ribeira.
Outro destaque é o Projeto Cultural DoSol, espaço idealizado por Anderson Foca e que funciona na Rua Chile e abre suas portas todos os meses para diversos eventos culturais. Além disso, Anderson realiza o festival DoSol, desde 2002, sendo um dos festivais independentes mais importantes do Nordeste. “O exercício da economia criativa em um território como a Ribeira está ligado a um trabalho de cooperação, ou seja, se viabiliza através de uma troca de serviços das mais variadas naturezas para o desenvolvimento das atividades artísticas e culturais. Usando os recursos disponíveis de maneira compartilhada, no âmbito de um território criativo, é possível viabilizar iniciativas mais fortes e representativas”, explica Anderson Foca.
Cores de Flávio Freitas
Há dez anos o arquiteto e artista plástico Flávio Freitas resolveu mudar seu atelier de endereço, saindo de Petrópolis, bairro nobre de Natal, para se instalar na Ribeira, exatamente na Avenida Duque de Caxias, esquina com a travessa José Alexandre Garcia. O motivo: a paixão pela história do bairro. “A Ribeira é o bairro mais importante quando falamos em patrimônio arquitetônico. É o conjunto maior. A história da cidade passa por aqui, sofre transformações na época da 2ª Guerra Mundial. Embora a base aérea dos americanos fosse em Parnamirim, toda a atividade comercial e social deles era na Ribeira”, disse.
A ligação de Flávio com a Ribeira também é familiar, pois seu avô e seus tios eram comerciantes do bairro na década de 1970. “Eu sempre circulava pelas ruas da Ribeira, que tinha um ar mais glamouroso. Quando pensava em ter um atelier, sempre pensava na Ribeira como minha primeira opção. Quando cheguei aqui o bairro estava marcado pelo abandono. Depois houve a revitalização da Rua Chile e hoje, com algumas iniciativas para melhorar o bairro e a chegada do Buraco da Catita, do Consulado, o Circuito Ribeira, o movimento da Banda da Ribeira, tudo isso fez o cenário mudar”, declarou.
Mas, ao longo desses dez anos, Flávio percebeu que a Ribeira não era a melhor opção em termos comerciais, mesmo assim, não desistiu do bairro. “A Ribeira é um importante centro cultural, está marcada por importantes histórias. Perdi em faturamento, mas não acredito em pessoas que se movem apenas pelo dinheiro. Se perdi por um lado, ganhei em satisfação, por fazer parte de um grupo de pessoas com atividades ligadas à Cultura. Como arquiteto e artista plástico, estar aqui é um gesto importante, um compromisso social com a cidade”, afirmou.
Antiguidades
A história de Roberto Luiz de Albuquerque com a Ribeira começou ainda criança. O dono do antiquário Galpão 223, localizado na rua Dr. Barata, assistia seu pai comprar e vender móveis e objetos dos soldados americanos que moraram em Natal na época da 2ª Guerra Mundial. “Muitos deles montavam casas aqui e depois tinham que se desfazer de tudo para voltar à sua terra ou partir para outro país. Meu pai aproveitava que eles estavam se desfazendo de seus móveis, eletrodomésticos, e objetos de decoração, comprava tudo e depois revendia. A nossa casa sempre estava cheia de ‘cacarecos’. Para se ter uma ideia, eu dormia numa cama de campanha, que era para poder movê-la de um lugar para o outro quando as novas aquisições do meu pai chegavam”, disse Roberto.
O Galpão 223 está na Ribeira há dez anos, quando Roberto, que é engenheiro civil e ex-funcionário da Caixa Econômica Federal, resolveu se tornar comerciante quando saiu do banco. “Sempre gostei de coisas antigas e as trago das viagens que faço, além das peças que encontro por aqui. Resolvi montar a loja na Ribeira por se tratar do bairro mais charmoso da cidade. Estou na rua que foi a mais importante na época da 2ª Guerra. A rua Dr. Barata era o shopping da cidade, o lugar mais chique de Natal com suas confeitarias, barbearias, lojas de sapatos, tecidos”, declarou.
No entanto, esse cenário mudou ao longo do tempo e hoje o comércio da Ribeira perdeu o destaque. “A cidade renega a Ribeira. As pessoas acham que é um bairro violento, mas eu posso assegurar que não é bem assim. Já morei aqui na loja por um período e nunca tive problemas. Saía para os barzinhos, para jantar e voltava caminhando de madrugada. O máximo que encontrava eram alguns bêbados pela rua”, disse.