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Fitzgerald reeditado

O escritor Berilo Wanderley, autor de Telhado do Sonho, foi uma dos mais ilustres colaboradores d´A REPÚBLICA, aliando poesia ao jornalismo. Neste texto, publicado em 1976, ele apresenta aos potiguares a riqueza da obra do escritor norte-americano que foi símbolo da era do jazz.

Ígor Jales

Os tempos nunca estiveram tão bons para o romancista norte americano Scott Fitzgerald. Quando uma onda de nostalgia dos anos ilusoriamente leves e felizes do “charleston do jazz”, do farto (porque proibido) uísque, das rumorosas festas que culminavam com orgias e banhos de piscinas, quando uma onda assim invade, tomando conta, também, do cinema e promovendo a reedição de velhos sucessos musicais, é a vez de seu literato mais típico dominar. Fitzgerald, o cronista de uma sociedade sem horizontes, que se divertia antes que o caos total viesse, numa América à beira do “crash” econômico, está sendo consumido nos EUA de hoje e, forçosamente tinha que ser reeditado no Brasil.

No Brasil, foi no começo dos anos sessenta, que a Civilização Brasileira traduziu para o nosso idioma uma série de romances de Scott Fitzgerald. Série iniciada com uma antologia de magníficos contos, a “Seis Contos da Era do Jazz” (tradução e ensaio introdutório de Brenno Silveira).

Agora a Distribuidora Record nos dá, em plena era da nostalgia, novamente Francis Scott Fitzgerald. Já saíram “O Grande Gatsby”, “Suave é a Noite”, “O Último Magnata”, “Os Belos e os Malditos”, “Este lado do Paraíso”.

Em cada um desses livros, há todo o espírito de uma época, os “twenties”, que Fitzgerald viveu intensamente, embebido em uísque, e há muito de si mesmo, também. “Este lado do Paraíso”, por exemplo, tem muito da vivência pessoal do romancista, em meio aos problemas de um jovem, cínico e inocente, ao mesmo tempo, enfrentando a vida car a ca ra. Para coroar esses lançamentos seria bom que a Record editasse a biografia de Fitzgerald, escrita por Arthur Mizenar, intitulada “The Far Side of Paradise”, e escrita a partir dos documentos, diários, anotações literariais, cartas e outros papéis, doados à Universidade de Princeton, nos anos cinquenta. Certamente, teria tanto interesse para os leitories de FSF quanto seus romances.

Berilo Wanderley
A REPÚBLICA,
3 de fevereiro de 1976.

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